A questão da fronteira tem uma dupla dimensão, a que se traduz na definição de um limite de vizinhança entre identidades diferenciadas e a que salvaguarda um espaço de intervenção autónoma de cada identidade em relação aos interesses próprios. (...) Durante séculos, e talvez com um ponto final posto pela guerra de 1939-1945, a concepção atomística da vida internacional, coberta em grande parte pela teorização de Hobbes sobre o Leviathan, fez da fronteira geográfica uma muralha e da jurisdição interna um reduto inacessível a forças do exterior, com o Estado como protagonista único. (...) Para o dizer com brevidade, a insuficiência crescente do Estado para enfrentar a mudança e defenir novos conceitos estratégicos, implicou a adesão ao modelo dos grandes espaços, por enquanto de natureza final incerta, mas de facto a tenderem para assumir um poder político. (...) Este ensaio... lida portanto com um tema fundamental do nosso tempo e que está intimamente ligado com a problemática da redefinição do estatuto Português na nova ordem internacional em formação.
Cosmos/IDN, Maio 2002, ISBN: 972-762-240-2
20,95 €
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